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Por Andrea Caudill
Quarter Horse Journal Racing Journal 2005
Tradução - Aldo Ferrari
Se você está treinando animais Quarto de Milha de 2 anos precoces ou tardios, então encontrará com certeza problemas de periostites no metacarpo ou metatarso (dor de canela).
O tratamento convencional para esse problema é um longo período de repouso. Sem dúvida, um novo tratamento promete diminuir o tempo de recuperação em meses e em semanas. A terapia utilizando ondas de choques extra corpóreo é um novo método de tratamento veterinário, que poucas pessoas conhecem.
"Resumindo, disse Scott McMClure, médico veterinário PhD, professor assistente na Universidade Estadual de Iowa (EUA) e precursor no estudo da terapia de ondas de choque " o que estamos fazendo é o mesmo que o tempo fará, apenas com diferença de que estamos fazendo o tempo passar muito mais rápido".

PARA QUÊ SE USA?
Já que esta terapia é um novo método de tratamento, suas aplicações específicas continuam ainda indefinidas. As experiências continuam em processo, porém sua eficácia tem sido comprovada em diferentes tipos de lesões.
Seu uso inicial foi em enfermidades de caracter ósseo, tais como - esparavão( enfermidade degenerativa da articulação , também conhecida como artrite do curvilhão) e na síndrome do navicular, as quais não têm outro recurso para serem tratadas.
Apesar do nome, esta terapia não usa eletricidade mas sim ondas de pressão acústica dirigidas ao interior do tecido e do osso para estimular o fluxo de sangue e acelerar a resolução.
Esta terapia está ganhando popularidade como modalidade terapêutica, porém só é utilizada quando métodos convencionais já tenham sido esgotados e sem terem produzido efeito. Pode ser benéfica para tudo, desde lesões em tecidos moles até lesões ósseas, incluindo fraturas por pressão no osso da canela, lesões no ligamento suspensor, tendinites, síndrome do navicular, esparavões e dor de paleta.
"Nós estamos tratando animais, para os quais outros tratamentos já não surtem mais efeito" explica McClure.
Um estudo apresentado na Associação Médica Para Equinos de Esporte, em 1999 mostrou que em um grupo de animais com esparavão ósseo, em 85% apresentou um quadro de melhora após o tratamento onde diminuíu a lesão em pelo menos 1°.
Entre os meios recomendados estão tratamento de animais com problemas de ósteo artrites crônicas( sobrecanas, enfermidade degenarativa da articulação), lesão do ligamento suspensor, tendinites, periostites no metacarpo ou metatarso, espigão, perônio fraturado, lombos doloridos e síndrome do navicular.
"No tratamento de um animal com periostite no metacarpo ou metatarso, meu objetivo é manter o animal em treinamento", disse McClure "Nossa intenção é procurar sanar esses ossos sem ter que interromper seu treinamento por um longo período de tempo. Porisso quando os trato, repito a aplicação por três vêzes em intervalos de 3 semanas.
Aplico a primeira vez e depois os coloco a caminhar em piso macio por uma semana e depois voltam aos treinos por mais duas semanas. Depois faço uma segunda aplicação e assim se repete o ciclo até completar as três aplicações. Usando esse procedimento, esperamos manter o animal em treinamento e sem nunca ter de interrompê -lo".
Infelizmente, no caso de enfermidades degenerativas, o tratamento somente será em processo mais lento.
"Nós não estamos destruindo a enfermidade que causa o problema" disse McClure "Basicamente o que fazemos é parar o problema. Na síndrome do navicular que é uma enfermidade lenta e progressiva. Porisso tudo o que podemos fazer é atrasar a sua evolução. Não temos um mecanismo para desfazermos por completo esta situação".
Existem alguns casos em que este tratamento não é indicado. A terapia de ondas de choque não deve ser utilizada em infecções de tumores.Também não deve ser usada aos redor de orifícios ou cavidades que contenham ar ou placas de crescimento epifisários.
COMO FUNCIONAM
Os médicos começaram a usar a terapia de ondas de choque em pessoas há várias décadas, como meio de tratamento, não cirúrgico, a cálculos renais como processo conhecido como LITÍASES. As ondas de pressão desintegram os cálculos permitindo aos rins deslocarem e eliminá-los.
As tentativas em cavalos começaram na metade da década de 80, e por volta dos anos 90 foram importados da Europa para os Estados Unidos da América os primeiros aparêlhos de ondas de choque.
Inicialmente os primeiros aparêlhos eram grandes e volumosos, porém evoluíram se tornando menores e de fácil operação. O prêço dos aparêlhos também diminuíram muito, os primeiros disponíveis no mercado custavam em tôrno de US$ 250.000( duzentos e cinquenta mil dólares) hoje seu prêço gira por volta de US$40.000 (quarenta mil dólares), sendo ainda hoje liberada sua aquisição.
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O aparêlho em sí consiste em um corpo que emite as ondas de uma haste flexível com uma ponta ou cabeça, que direciona as ondas.
É semelhante ao aparêlho de ultra som, porém com diferença que utiliza uma frequência de ondas mais baixa, a qual pode ser dirigida a um local específico no interior do corpo. Uma pequena quantidade da onda é absorvida pelo tecido que não gera calor tissular. As ondas supersônicas de pressão acústica originadas pelo aparêlho duram apenas a bilionésima parte de um segundo. |
Estas passam pela ponta da haste do aparêlho que direcionam as ondas para o interior do corpo do animal, praticamente sem interrupção pela passagem pelos fluídos e tecidos moles. Sua ação ocorre nos locais onde há uma troca de diferentes tecidos como por exemplo, entre o tecido mole e o tecido ósseo.
Existem dois tipos de fontes geradoras de ondas de choque. O primeiro consiste de uma unidade radial de ondas de choque, que cria uma onda que irradia o choque da mesma maneira como se atira uma pedra na superfície de um lago ( a pedra vai pulando sobre a superfície da água sem afundar).
O segundo método é aquele mais efetivo e mais comumente utilizado, as unidades geradoras de ondas de choque concentradas.Este método origina uma onda que é dirigida a um ponto e com lentes ou refletores parabólicos que concentram o efeito das ondas.
Existem três técnicas diferentes para originar as ondas de choque no corpo do aparêlho.
A primeira é eletromagnética que é similar àquelas utilizadas nos alto falantes convencionais . A eletricidade se propaga através de duas membranas que se repelem entre sí originando uma onda sonora.
A segunda técnica é chamada de pizoelétrica que utiliza cristais pizoelétricos que ao conduzirem a eletricidade aumentam de tamanho rapidamente originando uma onda.
A terceira e também a mais utilizada é a eletrohidráulica , que utiliza dois eletrodos envoltos em um meio líquido, que provocamuma faísca de alta voltagem causando uma evaporação do líquido em sua volta, como se fôsse uma bolha, que se expande e se retrai, gerando assim uma onda de choque.
A cabeça ou ponta do aparêlho de ondas de choque pode ser trocada para dirigir a onda de choque ao local onde se necessite. De maneira que, quanto mais plana a superfície da haste mais profundo penetra a onda e, quanto mais cônica a superficie da haste, menor o poder de penetração da onda de choque.

Isto permite aos veterinários determinarem com precisão a direção das ondas para obter maior eficácia no tratamento.
Os veterinários cobram por choque administrados ao custo de cerca de US$0,20 a US$0,40 ( de vinte a quarenta centavos de dolar )por onda de choque. Uma secção de tratamento usa em média de 1.000 a 2.000 ondas de choque fazendo com que cada aplicação custe cêrca de US$200,00 a US$800,00.
O aparêlho e sua operação é mais utilizado por veterinários por casualidade e quando encontramos um veterinário com habilidade para aplicar essa técnica o tratamento fica mais fácil. A maneira de se encontrar um profissional com essa habilidade é perguntando ao seu veterinário ou consultando a universidade ou clínicos veterinários mais próximos.
COMO PROCEDER
O processo da terapia com ondas de choque é realizado sem necessidade de internação e se aplica com o animal em pé, ainda que, comumente se aplica um tranquilizante como medida de segurança para manejá-lo confortavelmente.
"O grau de aceitação dessa terapia varia entre os animais" disse David Orton, medico veterinário do Clovis Equine Center, em Clovis - New Mexico.
A área que vai ser tratada deve ser preparada, depilando-se o local . Depois de limpar cuidadosamente deve-se aplicar um gel na pele e na ponta da haste para criar uma conexão entre elas, com a mesma semelhança que se utiliza no ultra som.
PONTOS IMPORTANTES DA TERAPIA COM ONDAS DE CHOQUE
Garantir que o veterinário responsável pelo tratamento seja habilitado e esteja treinado para realizar o tratamento.
As ondas de choque usam ondas de pressão para estimular a reação tanto no tecido mole como no tecido ósseo. As ondas podem penetrar até 4 polegadas no corpo do animal.
As ondas de choque não são como ultra som e nem tem nada a ver com choques elétricos.
Antes de aplicar as ondas de choque examine o animal e localize com precisão a origem da lesão. O tratamento deve ser utilizado quando todas as outras opções já tenham sido esgotadas. Se a lesão for identificada corretamente as ondas de choque poderão ser dispensadas ou não serem devidamente aplicadas.
A terapia com ondas de choque é um procedimento rápido que não necessita internação e dura ao redor de 5 a 10 minutos por secção. O custo médio gira em torno de US$200,00 a US$800,00 por aplicação.
Pesquisadores dizem que o efeito analgésico( de entumescimento) pode durar até 5 dias após o tratamento.
Consulte a comissão de corridas de seu estado para estar seguro de não estar infrindo qualquer regra do hipódromo local.

LEGALIDADE NAS PISTAS
A causa do efeito analgésico que a terapia de ondas de choque pode causar em um animal, normas impostas para a sua aplicação em muitos estados, com outras opções discutíveis. As regras variam, porisso verifique com a comissão de corridas de seu estado e com seu veterinário, para estar seguro de utilizar-se de procedimento correto. Louisiana, Oklahoma e Texas por exemplo não têm regras a respeito.
ALGUMAS REGRAS ESTATAIS PARA O USO DA TERAPIA COM ONDAS DE CHOQUE
CALIFORNIA - 1 - todos os aparêlhos de terapia com ondas de choque (STW) devem ser registrados no Conselho
de Veterinária Oficial do Cavalo de Corrida;
2 - O uso do aparêlho SWT está restrito a veterinários que têm licença profissional;
3 - Os animais submetidos ao tratamento com SWT não podem participar de nenhuma corrida até
7 dias após a aplicação;
4 - Todos os tratamentos com SWT deverão ser notificados individualmente ao Conselho Veterinario.
NOVO MÉXICO - 1 - Todos os aparêlhos de terapia com ondas de choque (SWT)devem estar registrados no Conse-lho Veterinário Oficial de Corridas do Novo México;
2 - O uso de aparêlhos SWT deve estar restrito exclusivamente a veterinários com licença profissional;
3 - Os animais submetidos ao tratamento com SWT não podem participar de qualquer corrida por 10 dias, subsequentes a aplicação;
4 - O treinador e/ou veterinário responsável pelo animal deverá notificar por escrito e individualmente todas as aplicações ao Conselho Veterinário Oficial de Corrida do Novo México e acomissão administradora dos hipódromos de maneira confidencial ao tratamento com SWT.
As aplicações por sí só são muito rápidas levando em média, menos de 20 minutos. O número de aplicações necessárias variam de acordo com o problema e com sua severidade. De acordo com Orton, duas ou três aplicações são sufi- entes.
O uso da aplicação de ondas de choque estimula a resolução, sem uma razão definida,mesmo para aquelas pessoas que a utilizam regularmente.
"Não conhecemos o mecanismo exato do processo de cura" disse McClure. "Sempre se vê uma neo vascularização, a qual é o aparecimento de novos vasos sanguíneos. Isso é algo que apareceu sempre em vários estudos realizados, porém não sabemos exatamente o que ocorre e porque ocorre a neo vascularização".
Orton que tem mais de 22 anos de experiência como veterinário e tem utilizado o aparêlho de ondas de choque por mais de 2 anos está de acôrdo.
"Nós podemos ver que funciona e constatar os resultados, porém é difícil de definir e explicar com exatidão", confirma êle.
Estudos iniciais mostraram que o principal mecanismo que faz com que funcione é a neo vascularização, a qual aumenta o fluxo sanguíneo e a ativação de fatôres do crescimento ósseo, como é o caso da proteína morfogênica óssea. Sem dúvida mais estudos serão necessários para determinar com precisão.
Porém antes de indicar o uso da terapia de ondas de choque ,o veterinário deve examinar cuidadosamente oanimal para constatar e indicar com precisão a lesão e seu local de ação.
"Assegurar-se de estar procedendo corretamente" disse McClure, "Isso pode não soar muito bem, porém temos que saber qual é o problema que estamos tratando , e é de fundamental importância conhecer o caso específico e se é indicado ou não o tratamento com ondas de choque, não obstante a resposta ao tratamento.
O tratamento em sí não é tão complicado, entretanto o ponto da questão é encontrar um veterinário que possa identificar o problema e saber o que tratar e o que não tratar."
Uma vez que o animal tenha completado o tratamento é necessário fornecer um repouso e tempo para recuperar-se.
"Entretanto temos que fazer uma reavaliação", disse McClure, "Nós não podemos simplesmente aplicar o tratamento com as ondas de choque e colocar o animal para correr presumindo que está curado. Simplesmente não é assim que funciona".
Outro problema que encontramos na terapia com ondas de choque é o efeito analgésico ou de inchaço que ela causa.O efeito não é um aumento de volume total com um bloqueio químico, porém é uma queda na percepção da dor.
Também aparece uma inflamação dos nervos da área tratada. Pessoas submetidas a esse tipo de tratamento mencionaram inicialmente uma queda na sensação de dor, que dura alguns dias antes de voltar ao normal. A dor diminui a medida que o problema regride.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Iowa mencionaram que a analgesia durava cerca de 4 dias após o tratamento. Pesquisadores da Universidade Estadual da Louisiana realizaram estudos com a terapia das ondas de choque e concluíram que a aplicação das ondas de choque causavam um entumescimento.
Orton descreveu vários casos que a terapia com ondas de choque auxiliam no tratamento de lesões antigas.
" Acredito que as mais gratificantes e surpreendentes reações foram naqueles casos antigos que tinham criado muito tecido cicatricial", êle disse.
As limitações dos movimentos dependem da exuberância na quantidade de tecido cicatricial produzido pelo animal.
É surpreendente tudo o que se pode fazer no que diz repeito a romper o tecido cicatricial e as aderências , e devolver a movimentação dos músculos e tendões limitados previamente pela presença do tecido cicatricial. Alguns dos tratamentos mais gratificantes são aqueles que cremos não ter possibilidades e acreditamos intratáveis.
Eu penso, ou melhor, pelo que conheço disto, êste é um bom tratamento para aqueles casos difíceis, para os quais nada mais funciona. E a realidade é o que é".
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