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MARCOS RODRIGUES FERRAZ

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Escrito por ABQM

22 JAN 2025 - 11H00

Em 1976 foi presidente da Expo Bauru e da Sociedade Hípica, bem como um dos fundadores do Clube do Laço e do Rancho do Criador

Marcos Rodrigues Ferraz construiu uma trajetória relevante na história do Cavalo Quarto de Milha no Brasil, marcada pelo envolvimento com a criação, o esporte e a organização de eventos equestres. O contato com os cavalos começou ainda na infância, influenciado pelo pai, Plínio Ferraz, pecuarista e um dos pioneiros na importação da raça Nelore no país.

Com o objetivo de fomentar exposições pecuárias e provas hípicas, Plínio Ferraz teve papel decisivo na estruturação do setor em Bauru (SP), ao doar áreas da Fazenda São José para a construção do Recinto Mello de Moraes, em 1946, e da Sociedade Hípica local, em 1953. Esses espaços se tornaram referência para eventos agropecuários e esportivos na região.

Apaixonado por cavalos, Marcos iniciou sua trajetória esportiva no salto, modalidade que lhe proporcionou amizades duradouras com nomes que mais tarde se destacariam na criação do Quarto de Milha de Trabalho. O interesse pela raça ganhou força quando, ao lado de Heraldo Pessoa, conheceu exemplares do Quarter Horse em Araçatuba (SP). Impressionados pela estrutura, força e docilidade dos animais, decidiram investir na criação.

Em sociedade, adquiriram éguas mestiças e passaram a utilizar o garanhão Cobiçado, descendente de Caracolito, posteriormente reconhecido como o registro nº 1 da ABQM. A consolidação da criação ocorreu a partir de 1968, com a aquisição do garanhão Cacareco Brasil, durante o primeiro leilão da Swift King Ranch no Brasil, marco inicial da raça no país.

A fundação da ABQM, em 15 de agosto de 1969, representou um passo fundamental para a organização do registro genealógico da raça. Nos primeiros anos, parte da estrutura administrativa da entidade funcionou em Bauru, evidenciando a importância da região no desenvolvimento do Quarto de Milha.

Ao longo dos anos 1970, Marcos Ferraz ampliou e qualificou seu plantel com a importação de garanhões e matrizes, em um período em que os animais puros ainda eram minoria no Brasil. Seu trabalho contribuiu de forma direta para a evolução genética da raça e para a consolidação do Quarto de Milha como cavalo funcional e esportivo.

Além da criação, Marcos teve atuação destacada na organização do setor. Foi presidente da Expo Bauru em 1976, da Sociedade Hípica local e um dos fundadores do Clube do Laço, iniciativa voltada à formação de crianças e jovens nas modalidades de Laço, Tambor e Baliza. Também participou da criação do Rancho do Criador, espaço de convivência e integração durante as exposições agropecuárias.

O envolvimento com os cavalos se estendeu à família. Casado com Celina Foloni Ferraz, Marcos faleceu em agosto de 2013, aos 79 anos, deixando cinco filhos e sete netos. Seus descendentes seguiram ligados ao meio equestre, com destaque para atuações em provas de Laço, Três Tambores e na organização de eventos esportivos.

Seu legado permanece associado ao desenvolvimento do Quarto de Milha, à formação de pessoas e à valorização da camaradagem no ambiente equestre, princípio que ele costumava resumir em uma frase que marcou sua trajetória: quando os estribos se tocam, a amizade está formada.

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