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DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA - " DPOC - COPD "

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), agora conhecida e denominada de Obstrução Recorrente de vias aéreas (ORVA), no eqüino caracteriza-se clinicamente por redução do desempenho ao trabalho, tosse crônica, sons pulmonares anormais e vários grupos de disfunção pulmonar e cardíaca. É uma afecção relativamente comum e freqüente em cavalos de corrida, podendo também acometer com mais freqüência cavalos de trabalho que realizam provas de velocidade, produzindo redução da performance e perda de peso nos casos crônicos mais graves.

Existem vários sinônimos pelos quais a DPOC é conhecida, entre eles podemos citar: enfisema crônico, bronquite crônica, bronquiolite crônica e obstrução de fluxo de ar recorrente.A sua causa não se encontra ainda completamente esclarecida, assim como os sinais clínicos podem apresentar variações em termos de tipos de manifestações e de intensidade com que se manifestam.

A DPOC pode ser conseqüente a processos primários desencadeadores de bronquites e bronquiolítes, por manifestações alérgicas tipo asmática, poeira e substâncias alérgenas em suspensão no ar. Tal fato pode ser observado pela alta prevalência do processo em cavalos estabulados em baias mal-ventiladas. As camas de serragem ou de maravalha, rações fareladas e fenos secos, facilmente eliminam partículas que ficam em suspensão no ar e são inaladas pelo cavalo, sendo este um fator irritante importante no desencadeamento da doença. Nesta situação de manifestação da doença, geralmente os animais mais predispostos a desencadearem a doença são os cavalos mantidos em manejo extensivo, e que repentinamente são estabulados e alimentados com fenos e concentrados farelados principalmente.

Existem indícios de que a doença possa ocorrer como uma seqüela de infecções viróticas das vias respiratórias anteriores dos eqüinos, no entanto ainda não há provas suficientes para sustentar tal relação. Além das infecções virais, outros fatores podem ser responsabilizados pelo desencadeamento da DPOC como bactérias e parasitas com ciclo pulmonar que produzem pneumonite alérgica.Investigou-se a possível predisposição genética a esta doença, mas ainda não há provas que indiquem a origem hereditária.

A doença é mais comum em cavalos com mais de cinco anos de idade, podendo ocorrer em alguns casos em animais de até os quatro meses. Em alguns países da Europa, a doença se constitui como uma das maiores causas de perdas prematuras na população eqüina.

Os sintomas se caracterizam por dificuldade respiratória, pouca tolerância ao exercício e expiração forçada. O aumento da freqüência respiratória durante o repouso é a primeira manifestação clínica aparente da bronquiolite e em alguns casos do enfisema pulmonar, associado a uma dificuldade na expiração que se processa em dois tempos, devido à dilatação, perda de elasticidade, obstrução e finalmente ruptura dos alvéolos, o que pode originar hemorragia pulmonar. Alguns cavalos podem apresentar corrimento nasal, e em alguns casos este corrimento se torna hemorrágico devido o rompimento de vasos alveolares. Nos casos mais graves as narinas podem se apresentarem mais dilatadas e o abdômen com uma linha muscular de esforço.

 

Tosse curta e fraca pode estar presente, pronunciando-se no exercício. O quadro pode ainda ser estimulado ao se fazer o animal entrar em contato com o ambiente empoeirado, ar frio e úmido e alimento farelado seco.

A evolução da doença depende da eliminação ou da presença contínua da causa desencadeante. Se ela for eliminada nas fases iniciais, pode ocorrer cura completa. Na presença contínua da causa desencadeante, é comum a ocorrência de recidivas, ou a doença evolui e os eqüinos acometidos ficam gravemente incapacitados. Com manejo consciente e estabulamento adequado, os animais reprodutores, ou de trabalho moderado podem permanecer úteis durante muitos anos.

O tratamento deve ser conduzido no sentido de aliviar a insuficiência respiratória do animal e estar direcionado para a causa da doença. Animais que apresentam crises agudas podem ser tratados com anti-histamínicos, associados a corticoterapia.

O fator principal a se levar em consideração é a causa da doença. Os animais devem ser mantidos protegidos do vento, principalmente nos meses de inverno, ao ar livre ou baias arejadas. Toda poeira de baia deve ser evitada, e a cama não deve conter partículas que permaneçam em suspensão no ar. Na alimentação deve-se fornecer feno de boa qualidade, que não contenha mofo e pode ser umedecido antes de ser ingerido. Os concentrados devem ser fornecidos na forma de ?pellets?. Animais com DPOC geralmente apresentam melhoras do quadro clínico quando são mantidos em manejo extensivo de pastagens, com a possibilidade de terem acesso a abrigos e baias quando desejarem. Cavalos com DPOC apresentaram melhoras quando colocados no pasto.

O prognóstico para os cavalos de corrida e trabalho intenso é desfavorável, pois estes se tornam deficientes em termos de respiração, devido à baixa capacidade de captação de oxigênio, mas em relação à vida dos mesmos se torna bom para os cavalos de trabalho moderado e destinados à reprodução. Cavalos com DPOC podem ser destinados à reprodução em regiões que apresentem de preferência clima quente e de baixa umidade, mas vale ressaltar que existe a possibilidade de hereditariedade, embora ainda não existam provas.

?Devemos sempre ressaltar que o cavalo não é somente uma máquina de trabalho, e sim um grande companheiro, ao qual devemos respeito e carinho.?

 

Bibliografia:THOMASSIAN, A. Enfermidades dos cavalos. 3 ed. ? São Paulo: Livraria Varela, 1996.BLOOD, D. C. RADOSTITS, O. M. Clínica Veterinária. 7 ed. ? Rio de Janeiro : Editora Guanabara Koogan, 1991.*Jean Carlos Aparecido Amorin: 3º anista do Curso de Medicina Veterinária da Universidade de Franca - e-mail: vetamorin@yahoo.com.br ? telefone: ( 16 ) 9989-2983.