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Equipe veterinária atuante no Congresso QM

 

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Acompanhe as principais ocorrências com os animais atendidos pela Equine Center durante o Congresso Brasileiro

Por: dr. Reinaldo de Campos

O dr. Reinaldo de Campos, veterinário e proprietário da Equine Center, e sua equipe, vêm sendo há sete anos os responsáveis pelo atendimento aos animais durante os eventos oficiais promovidos pela ABQM. Durante o Congresso Brasileiro, realizado em Avaré (SP), no mês de abril, esse profissional relata nesta matéria os principais casos ocorridos. Acompanhe suas considerações.

1) Houve uma significativa diminuição do número de atendimentos diários feitos aos animais, quando comparamos com crescente aumento do número de inscrições.

2) Houve também diminuição quanto à gravidade dos atendimentos clínicos, que podemos exemplificar pela queda nos índices de animais suturados (apenas um caso), nenhum deles apresentando fraturas graves (aquelas que necessitam imobilização com gesso ou mesmo cirurgia), nenhum acidente grave de transporte, etc ...

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Dr. Reinaldo: "Problemas locomotores (manqueiras),continuam a ter um papel importante no número de atendimentos" 

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Raio X digital para se detectar manqueiras

 

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Dermatite de Quartelas 

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Abscesso na sola 

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Curativo na dermatite de quartelaw7 w8Corte na região do lábio superior que necessitou ser suturado; detalhe após sutura

 

3) Com relação aos problemas locomotores (man­queiras), elas continuam a ter um papel importante no número de atendimentos verificados nos três últimos eventos, totalizando 28,2% no último Congresso (33 casos num total de 117 atendimentos). Deste total de claudicações, grande parte dele foi verificado nos cascos (75,7% dos casos de manqueira). Para solucionar esses problemas, devemos ter sempre um bom veterinário para que possa fazer com uma certa freqüência um check-up, não somente nos cascos , mas em todo o animal, evitando surpresas no dia do evento. É imprescindível também um bom ferrador, afim de que se possa executar com profissio­nalismo o ferrageamento adequado para cada tipo de animal. É importante que se tenha um bom entrosa­mento entre o veterinário e o ferrador.

 

4) Já os índices de cólica, eles vêm se mantendo em torno de 10% do total de atendimentos. É um índice baixo, quando comparado ao número de animais inscritos, mas sabemos que podemos diminuí-lo, uma vez que ainda detectamos algumas falhas nos cuidados com os animais, como por exemplo:

A ) Falta de hidratação durante viagens longas.

B) Administração de concentrados durante as viagens.

Isso contribui muito ao aparecimento de cólicas. O ideal é que se dê aos animais apenas feno.

C) Excesso de trabalho, somado a não reposição de líquidos e eletrólitos, levando a um quadro acentuado de desidratação. É muito comum observarmos animais que ficam meses em treinamento leves a 15 a 20 dias antes das competições e são submetidos a treinamentos pesados sem que haja qualquer orientação de um profissional capacitado, para detectar possíveis anormalidades no animal.

Tivemos apenas um caso de cólica, de um total de 14 atendidos, que necessitou ser encaminhado até a um hospital. para que ficasse em observação e cuidados intensivos. (0,85% do total de atendimentos). Essa é uma taxa extremamente baixa e vem reforçar a qualidade do atendimento prestado pela ABQM durante os eventos.

 

5) Quanto aos problemas respiratórios ( tosse, gripe, pneumonias, hemorragia pulmonar), chegaram a 7,7% do total de atendimentos. Houve diminuição de 2,7%, quando comparado ao Congresso de 2008, quando a taxa foi de 10,4 %.

Dos seis exames endoscópicos, realizados por vídeo-endoscopia, dois animais apresentaram Hemorragia Pulmonar Induzida pelo Exercício (33,3%); dois apresentavam Neuropatia Laringeana Esquerda (um defeito funcional da cartilagem aritnóide, que pode diminuir acentuadamente a performance do cavalo, devido à intolerância ao exercício ? chamada popularmente de ?cavalo roncador? ou ?chiador?; dois animais apresentavam Bronquite Crônica.

Em termos de Hemorragia Pulmonar, não temos um dado fiel a ser apresentado devido à baixa quantidade de exames endoscópicos realizados, isto porque a maioria dos animais que sangram não exteriorizam esse sangue pelas narinas (sangram internamente). A epistaxis nasal (sangue que sai pelas narinas ) ocorre numa porcentagem muito pequena, cerca de 0,2 ? 13%, aproximadamente.

Em cavalos de corrida, submetidos a exames endoscópicos, sabemos que esta porcentagem é muito maior, cerca de 75 a 100%. Então, fica imprescindível o exame endoscópico realizado por profissional habilitado, para se chegar a um diagnóstico conclusivo. Lembre-se de que o exame das vias aéreas superiores e inferiores é apenas um dos pontos a serem analisados de rotina.

Há ainda proprietários e treinadores que dispensam o exame endoscópico, mesmo quando o animal apresenta sangue pelas narinas. Em nossa opinião, esta é uma prática inadequada, uma vez que, além de não se chegar a um diagnóstico definitivo quanto ao grau de hemorragia, pode colocar em risco a saúde de seu animal.

Cavalos com hemorragias pulmonares graves podem sofrer secundariamente pneumonias severas e até morrerem. Necessitam de cuidados especiais (fluidoterapia de suporte, cobertura com antibióticos, anti-he­morrágicos, repouso) e sobretudo acompanhamento veterinário, principalmente porque muitos desses animais, após as competições, irão viajar por longas distâncias.

 

6) Já os ferimentos de transporte, apesar de estarem diminuindo, ainda aconteceram em cerca de 12% dos casos atendidos. As medidas preventivas vêm sendo publicadas incessantemente por esta revista e são basicamente: cuidados no embarque e desembarque, proteção dos membros locomo­tores através de ligas e bandagens, evitar colocar animais inteiros (garanhão) juntos mesmo na presença de fêmeas, etc.

 

7) Um tema bastante polêmico e que vem sendo muito discutido é a respeito do dopping. Como visto na publicação anterior, esse controle vem sendo feito de maneira muito profissional e efetiva pela ABQM e os exames são encaminhados ao serviço de antidopagem do Jockey Club de São Paulo, uma referência Internacional.

Com relação aos animais atendidos durante as provas da ABQM, gostaria de lembrar que qualquer substância proibida que necessite ser empregada no animal, para manter sua integridade e bem estar, será administrada somente com a autorização do proprietário ou responsável pelo animal e é feita mediante assinatura por escrito.

Devemos lembrar, também, que o fato de o animal ser medicado pelos veterinários de plantão não os excluem de irem para o exame de anti­dopping. Há um controle rigoroso de todos os animais atendidos durante os eventos, por meio de relatórios diários encaminhados ao responsável técnico da ABQM.

Para finalizar, gostaria de uma reflexão de todos esses temas abordados acima, mas que em todos, o pensamento seja em torno de um objetivo comum: o bem-estar do animal.

 

*Dr. Reinaldo de Campos é médico veterinário doEquine Center ? Centro de Diagnóstico e Terapia Equina - Jockey Club de São Paulo - GR.39.Informações: (11) 3032-1155 e (11) 9937-1349.