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Transferência de embrião

A transferência de embrião é uma realidade em todo o mundo, sendo uma técnica aplicada nas mais diversas espécies animais.

Todo o tempo escutamos falar nesta técnica, muitas pessoas são a favor e outras são contra sua utilização e isso não é só no Brasil, mas praticamente em todos os lugares do planeta.

A doadora deve ser coberta ou inseminada para que possa ter o embrião.

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Vesícula embrionáriacom 8 dias de idade

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Coleta de sêmen Afinal de contas, o que é um embrião?

É o nome dado à fase inicial de desenvolvimento dos animais, que compreende o período logo após a fecundação até a formação do cordão umbilical, que no cavalo se dá aproximadamente aos 40 dias. A partir dessa data, o embrião muda de nome e passa ser chamado de feto.

O embrião é o resultado da fusão de um espermatozóide vindo de um macho com um óvulo vindo de uma fêmea. Na sua fase inicial, é um aglomerado de células: as tão faladas células tronco, que se multiplicarão para formar um indivíduo.

Nessa fase, o embrião não tem característica alguma que se assemelhe a um potrinho. Ele não tem formação da cabeça, membros, corpo; se assemelha a uma bolinha de golfe.

 

O que é a transferência de embrião?

É o nome dado ao procedimento (técnica), que consiste na retirada de um embrião do útero de uma égua (doadora,) para o útero de uma outra égua (receptora), que recebe o embrião. Essa técnica é uma poderosa arma para alavancar rapidamente o melhoramento genético do plantel .

Transferência de embrião e clonagem são a mesma coisa?

Transferência de embrião e clonagem são assuntos bem diferentes. A clonagem é a cópia de um indivíduo, já o embrião resulta do cruzamento de um macho com uma fêmea, isto é, o clone tem a mesma identidade genética, 100% de genes vindos do indivíduo original, já o embrião tem 50% dos genes vindos do pai e os outros 50% vindos da mãe; portanto, outro indivíduo.

 

Como se faz a transferência de embrião?

Todo o procedimento, desde o controle do cio, seja por meio da rufiação, palpação retal ou ultrasso­no­grafia realizada por um técnico até o processo da cobertura natural ou inseminação artificial, segue exatamente como se fosse para a égua gestar o potrinho normalmente.

A doadora deve ser coberta ou inseminada para que possa ter o embrião. O novo regulamento da ABQM permite a utilização do sêmen a fresco, resfriado ou congelado.

Após seis a nove dias da ovulação, mais ou menos o mesmo intervalo se a referência for a última cobertura, introduzimos por meio de uma sonda o soro no útero da doadora e fazemos o ?lavado? desse útero, na expectativa de que o embrião venha submerso no soro.

O soro, então é filtrado e, se o embrião estiver presente, ficará retido pelo filtro.

Um volume pequeno de soro com o embrião, que está no filtro, é transferido para uma placa para facilitar a sua manipulação.

Com o auxílio de uma pipeta o embrião, então, é transferido para o útero da receptora.

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Esquema de sonda no útero Quando podemos utilizar a transferência de embrião?

A grande aplicação da técnica é utilizada na reprodutora de alto valor, na qual se quer obter mais de um produto ou quando tivermos uma égua que, por um motivo ou outro, esteja impossibilitada de gestar ou parir um potro.

Ainda, no caso de éguas mais velhas que não mantêm estado satisfatório durante a gestação: com laminite (agüamento); com problema de incoordenação (bambeira), trato repro­dutivo que não conseguimos solucionar, entre outros.

Nas potrancas, a técnica encontra outra grande aplicação, enquanto as receptoras estão no haras gestando seus potros, elas estão nas pistas competindo.

 Quantos embriões uma égua pode dar?

Cerca de 90% das vezes, apenas um embrião é recuperado por ?lavado? e em 10% temos dois ou três embriões quando ocorrem ovulações múltiplas espontâneas.

Pesquisas estão em andamento e já podemos ter mais de um embrião em 70% dos lavados, às vezes, até cinco embriões numa situação extrema. Hormônios são utilizados para promover várias ovulações e como conseqüência teremos mais embriões por lavado.

De uma outra forma, podemos lavar várias vezes a mesma égua doadora, a cada 15-20 dias, durante uma estação de monta e ter mais de cinco ou seis filhos no ano.

Cada embrião será colocado em uma receptora, que poderá ou não ?aceita-lo?. Normalmente, temos de 20 a 30% de tentativas malsucedidas. Ou seja, a cada 10 embriões transferidos, sete ou oito iniciam seu desenvolvimento no útero da receptora.

 

Posso tirar um embrião e depois cobrir a égua para ela parir?

A égua pode estar no programa de transferência de embrião e depois ser servida e parir ou permanecer ?vazia? o tempo todo como doadora de embrião.

 

Se eu realizar muitas vezes o lavado de uma égua doadora, ela poderá ter problemas depois disso?

Normalmente, quando o procedimento é realizado por um técnico experiente o risco é realmente muito pequeno, evidentemente existem éguas que são mais suceptíveis que outras a desenvolver alguma complicação, onde a mais comum seria uma infecção.

As éguas mais velhas são mais suceptíveis que as potran­cas. Muitas éguas entram no programa de transferência de embrião exatamente porque já apresentam problema repro­dutivo.

Tanto as doadoras quanto as recep­toras aceitam muito bem o emprego da técnica sem maiores problemas.

 Qual o requerimento para se implantar o programa de transferência de embrião?

O programa requer mais infra-estrutura e mão de obra especializada. O investimento inicial é maior que o programa de inseminação artificial, por exemplo.

Aquisição e manutenção de éguas receptoras, que, aliás, é fator importantíssimo no programa de transferência de embrião, além de equipamentos, material e profissional experiente, são todos itens que implicam diretamente no sucesso ou insucesso do programa.

 

A transferência de embrião não atrapalha o treinamento das potrancas?

A opinião entre os treinadores é polêmica. Muitos são completamente contra, pois alegam prejuízo no treinamento. Outros indicam a transferência de embrião, pois não vêm correlação quando elas apresentam mal desempenho esportivo.

Realmente, temos inúmeros exemplos de potrancas que continuaram sendo excelentes em suas perfor­mances e até melhoraram, não porque fizeram transferência de embrião, mas porque vinham evoluindo nos treinamentos naturalmente.

Da mesma forma, não podemos atribuir, quando ocorre queda do rendimento esportivo, ao fato de se ter realizado a transferência de embrião. Sob o ponto de vista da técnica em si, não podemos dizer que o manejo reprodutivo necessário para realizar a técnica seja mais agressivo que a doma ou ao estresse de competição, a que as potrancas estão normalmente submetidas.

 A receptora pode ser qualquer égua?

Não. Na raça Quarto de Milha, a partir de 2008, as receptoras deverão ter registro na ABQM. De qualquer forma, a receptora deve ser uma égua sadia, tanto sob o aspecto reprodutivo, quanto do ponto de vista de saúde.

Não podemos utilizar uma égua como receptora que tenha histórico reprodutivo ruim, como, por exemplo, a que tenha dificuldade em emprenhar, que apresente infecção uterina, que não produza leite, que não seja uma boa mãe. Procuramos utilizar a receptora que tenha o porte parecido com o da doadora, não que isso seja essencial.

A receptora não pode ser coberta ou inse­minada, deve estar ?vazia? para poder receber o embrião da doadora, ela pode estar solteira ou com potro ao pé.

 

A receptora pode abortar?

Sim, a receptora é uma égua como outra qualquer e pode perder precocemente a gestação ?reabsorção? e também vir a abortar nos estágios mais avançados da gestação.

 

A receptora deve comer ração?

O manejo alimentar que temos com as doadoras devemos ter com as receptoras, afinal ela precisa alimentar o potro que traz no ventre.

 O potrinho não é realmente filho da receptora?

Não. Do ponto de vista genético, o potrinho não tem nada a ver com a receptora. O embrião é filho do garanhão e da égua doadora, que foi servida por ele.

A receptora apenas ?empresta? o útero, para que o embrião se desenvolva; é a chamada ?barriga de aluguel?.

Apenas como exemplo, já que não é possível: se pudéssemos colocar o embrião de uma girafa no útero da elefanta, quando ele nascesse, seria uma girafinha e não um elefantinho. Portanto, a nossa receptora elefanta apenas cedeu o útero para que a girafinha se desenvolvesse e nascesse.

 

Os potros nascidos de transferência de embrião não são tão bons quanto os nascidos da própria mãe (mãe biológica)?

Os potros gerado por receptoras têm o mesmo potencial genético que aquele gerado no ventre biológico. Os cuidados com a receptora durante a gestação e com o potro após o nascimento são determinantes para que o potencial genético possa se manifestar na sua plenitute.

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Controle folicular

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Rufiação

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Sonda colocada noútero da doadora

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Filtro com embrião

 

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Sonda, filtro e soro

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Placa com embrião

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Transferindo o embrião

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Éguas receptoras

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Embriões com 8 dias de idade, recuperados em um único lavado, onde foi utilizado o programa de super ovulação nas éguas doadoras.

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Receptora sendo alimentada com ração granulada

 

*Dr. Valdemar De Giuli Jr e dra. Denise Florencio de Athaide são médicos veterinários da Central de Reprodução Rancho das Américas, em Porto Feliz (SP). Informações: (15) 8117-9869 / (15) 8117-9868